O que são Demências? Sinais, Tipos e Caminhos para o Cuidado

 

O que são Demências? Sinais, Tipos e Caminhos para o Cuidado
Demências: compreender para cuidar com mais conhecimento e sensibilidade

Quando ouvimos a palavra demência, é comum que a primeira associação seja com a perda de memória. Mas as demências são condições muito mais amplas e complexas.

Elas podem afetar diferentes funções cognitivas, o comportamento, a comunicação e, ao longo do tempo, a capacidade de realizar atividades do cotidiano.

Ao mesmo tempo, é importante lembrar que demência não define uma pessoa. Por trás de um diagnóstico existe uma história, relações, sentimentos, preferências, experiências e uma vida que continua tendo valor e significado.

Neste episódio da série Fios da Maturidade, vamos conversar sobre o que são as demências, os principais tipos, os sinais que merecem atenção, como acontece a avaliação e quais são alguns dos caminhos atuais de cuidado e pesquisa.

Assista ao Episódio 4

O que são demências?

A palavra demência é utilizada para representar um conjunto de sinais e alterações cognitivas que podem ocorrer em diferentes doenças e condições que afetam o cérebro.

Essas alterações podem envolver memória, atenção, linguagem, raciocínio, orientação, comportamento e outras funções cognitivas, podendo interferir progressivamente na vida cotidiana.

É importante reforçar: demência não faz parte do envelhecimento normal.

O envelhecimento pode trazer algumas mudanças cognitivas, mas alterações persistentes ou que começam a interferir na autonomia, na participação e nas atividades do cotidiano merecem avaliação.

Envelhecimento normal, Comprometimento Cognitivo Leve e demência

Nem toda alteração de memória ou de atenção significa demência.

Algumas pessoas apresentam o chamado Comprometimento Cognitivo Leve (CCL), situação em que podem existir mudanças cognitivas maiores do que as esperadas para determinada pessoa, mas sem necessariamente haver perda significativa de independência nas atividades do cotidiano.

Também existem condições que podem produzir alterações cognitivas e que precisam ser investigadas, como algumas alterações da tireoide, deficiências nutricionais, depressão, determinados medicamentos, distúrbios do sono e algumas infecções.

Por isso, diante de mudanças persistentes, uma avaliação adequada é importante para compreender o que está acontecendo.

Nem toda alteração cognitiva significa demência

Esquecer ocasionalmente uma palavra, não lembrar imediatamente o nome de alguém ou precisar de mais tempo para aprender uma informação nova pode acontecer ao longo da vida.

O que merece atenção é quando as mudanças se tornam frequentes, progressivas ou passam a interferir na maneira como a pessoa vive, se comunica, se organiza ou participa de suas atividades.

Quais são os principais tipos de demência?

Falamos em demências, no plural, porque existem diferentes tipos e causas.

A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência e está presente em grande parte dos casos.

Mas existem outros tipos importantes, como a Demência Vascular, a Demência com Corpos de Lewy e as Demências Frontotemporais.

Também podem existir quadros mistos, nos quais diferentes processos relacionados ao cérebro estão presentes ao mesmo tempo.

Alzheimer: mudanças que podem começar muitos anos antes

No Alzheimer, algumas alterações biológicas relacionadas à doença podem estar presentes muitos anos antes dos primeiros sintomas clínicos.

Isso ajuda a compreender por que a pesquisa atual busca formas cada vez mais precoces de identificar alterações relacionadas à doença e compreender seus diferentes estágios.

Mas identificar alterações biológicas não significa, por si só, determinar como será a trajetória de uma pessoa.

Demências em mulheres: um olhar necessário

As mulheres são desproporcionalmente afetadas pelas demências, tanto entre as pessoas que vivem com essas condições quanto entre familiares e cuidadores.

Uma parte importante dessa diferença está relacionada à maior expectativa de vida das mulheres. Ao mesmo tempo, pesquisas continuam investigando fatores biológicos, hormonais, genéticos e sociais que também podem participar dessa realidade.

A transição para a menopausa também merece atenção quando falamos sobre saúde cerebral. Algumas mulheres podem vivenciar alterações no sono, no humor ou dificuldades de concentração e o chamado “brain fog”, ou sensação de mente mais nebulosa.

Essas experiências não significam, por si só, demência ou doença de Alzheimer. Mas podem ser importantes para compreender a saúde da mulher de maneira integral.

Decisões sobre reposição hormonal precisam ser individualizadas e discutidas com um profissional de saúde.

Cuidar da saúde cerebral também envolve atenção à saúde cardiovascular, ao sono, à atividade física, à saúde mental, às relações sociais e à participação em atividades significativas.

Quais sinais merecem atenção?

As alterações podem aparecer de diferentes maneiras.

  • dificuldades de memória que interferem no cotidiano;
  • dificuldade crescente para encontrar palavras ou acompanhar conversas;
  • perder-se em lugares conhecidos;
  • dificuldade para organizar ou realizar tarefas habituais;
  • mudanças importantes de comportamento ou julgamento;
  • dificuldades para lidar com situações que antes eram familiares.

Um sinal isolado não determina um diagnóstico. O contexto, a evolução das mudanças e o impacto na vida da pessoa precisam ser considerados.

Como acontece a avaliação e o diagnóstico?

O diagnóstico é construído a partir de uma avaliação clínica cuidadosa. Profissionais de saúde, incluindo médicos como geriatras e neurologistas, podem participar desse processo, juntamente com outros profissionais quando necessário.

Podem ser considerados o histórico de saúde, medicamentos utilizados, alterações cognitivas, comportamento, funcionalidade e informações fornecidas pela própria pessoa e por familiares ou pessoas próximas.

Também podem ser utilizados testes cognitivos, avaliação neuropsicológica e exames complementares, conforme cada situação.

Exames de imagem e biomarcadores

A investigação das demências pode envolver diferentes tipos de exames, escolhidos de acordo com a história clínica, os sinais apresentados e as hipóteses levantadas pelos profissionais de saúde.

Exames de sangue podem ser utilizados para investigar condições que possam contribuir para alterações cognitivas, incluindo algumas deficiências nutricionais, alterações da tireoide, infecções e outras condições clínicas.

A tomografia computadorizada e a ressonância magnética podem contribuir para identificar ou avaliar outras condições e também fornecer informações importantes sobre o cérebro.

Em situações específicas, exames funcionais, como o PET, podem fazer parte da investigação, oferecendo informações adicionais sobre o funcionamento cerebral ou determinados processos relacionados às demências.

Outro exame que pode ser utilizado em situações específicas é a análise do líquor (LCR — líquido cefalorraquidiano). Por meio dele, podem ser avaliados determinados biomarcadores relacionados a doenças neurodegenerativas, especialmente quando essas informações são importantes para esclarecer o diagnóstico.

Nos últimos anos, os biomarcadores também ganharam destaque na pesquisa e na prática clínica. Além dos exames realizados por imagem ou a partir do líquor, estão avançando os chamados biomarcadores sanguíneos, que podem oferecer novas possibilidades de investigação.

É importante lembrar que nenhum desses exames, isoladamente, conta toda a história. Os resultados precisam ser interpretados dentro do contexto clínico, juntamente com os sintomas, a avaliação cognitiva, a funcionalidade e outras informações relevantes.

O que existe hoje em termos de cuidado?

Atualmente, as demências não têm cura.

Mas isso não significa que não exista cuidado.

O acompanhamento pode envolver estratégias medicamentosas quando indicadas, acompanhamento de saúde, reabilitação, estimulação cognitiva, atividade física, cuidados com o sono, adaptação do ambiente, convivência social e suporte à pessoa e à família.

O cuidado precisa ser individualizado e acompanhar as necessidades que podem mudar ao longo do tempo.

Novos caminhos na pesquisa sobre Alzheimer

A ciência vem avançando na compreensão dos mecanismos relacionados à Doença de Alzheimer e na busca por formas mais precoces de identificação e intervenção.

Algumas terapias mais recentes são destinadas a situações específicas e podem ser consideradas apenas para determinados grupos de pessoas, em estágios iniciais e seguindo critérios clínicos rigorosos.

É importante lembrar que esses avanços representam novas possibilidades de cuidado, mas não significam uma cura.

Saúde cerebral e neuroplasticidade

Nosso cérebro possui capacidade de mudança ao longo da vida. Essa capacidade é conhecida como neuroplasticidade.

Aprender coisas novas, movimentar o corpo, conviver, criar, experimentar atividades diferentes e manter-se envolvido com o mundo são experiências que estimulam diferentes sistemas do cérebro.

Essas atividades fazem parte de estratégias de prevenção e promoção da saúde cerebral ao longo da vida. Isso não significa que possam garantir que uma pessoa não desenvolverá uma demência, mas que podem contribuir para a redução de fatores de risco e para a manutenção da saúde cerebr

Fatores de risco e proteção ao longo da vida

A saúde cerebral é influenciada por diferentes fatores ao longo da vida. Entre eles estão saúde cardiovascular, atividade física, sono, alimentação, saúde mental, relações sociais, escolaridade e condições ambientais.

As pesquisas atuais reforçam a importância de uma perspectiva de curso de vida: cuidar da saúde cerebral não começa apenas na velhice.

Ao mesmo tempo, nenhum fator isolado determina o futuro de uma pessoa. A redução de riscos deve ser compreendida como parte de uma estratégia ampla de promoção da saúde.

Cuidar da pessoa, e não apenas da doença

Quando uma pessoa recebe um diagnóstico de demência, existe o risco de que tudo passe a ser interpretado a partir da doença.

Mas a pessoa continua sendo muito mais do que o diagnóstico.

Seus gostos, sua história, seus vínculos, suas preferências e sua maneira singular de estar no mundo continuam fazendo parte dela.

O cuidado deve buscar preservar, ao máximo, sua participação, sua autonomia e sua capacidade de escolha.

Família e cuidadores também precisam de cuidado

Cuidar de uma pessoa com demência pode trazer desafios emocionais, físicos, sociais e práticos para familiares e cuidadores.

Por isso, o cuidado não deve olhar apenas para quem recebeu o diagnóstico. A família e as pessoas que participam diretamente do cuidado também precisam de orientação, apoio e espaços de escuta.

Dividir responsabilidades, buscar orientação profissional e construir uma rede de apoio pode fazer diferença para todos os envolvidos.

Como a Gerontologia e a Arteterapia podem contribuir para o cuidado?

A Gerontologia contribui para compreender o envelhecimento de maneira ampla, considerando aspectos físicos, cognitivos, emocionais, sociais, funcionais e ambientais.

Já a Arteterapia utiliza diferentes linguagens artísticas como possibilidades de expressão e cuidado.

Nas Oficinas Terapêuticas e atividades de estimulação cognitiva propostas por Viviane Mazi, diferentes experiências podem integrar criatividade, movimento, convivência e participação, considerando as possibilidades e necessidades de cada pessoa.

Mais do que realizar uma tarefa corretamente, o objetivo é proporcionar experiências significativas, nas quais cada participante possa exercitar capacidades, expressar interesses, fortalecer vínculos e vivenciar sua própria singularidade.

Para refletir

Demência não define uma pessoa.

Conhecer as alterações que podem acontecer é importante. Mas compreender a pessoa que vive com essas alterações é fundamental.

Cuidar também é preservar possibilidades, respeitar escolhas, reconhecer habilidades e adaptar o apoio às necessidades de cada momento.

Informação, ciência e cuidado podem caminhar juntos.

E, quando caminham acompanhados de respeito e sensibilidade, ajudam a construir uma forma mais humana de olhar para as demências e para o envelhecimento.

Para você, o que significa cuidar de uma pessoa sem deixar de reconhecer quem ela é?

Compartilhe sua reflexão nos comentários.

Leia e assista também

Esta série foi construída como uma jornada, em que cada episódio amplia um pouco mais nosso olhar sobre o envelhecimento.

Indicação de leitura

Para continuar refletindo sobre saúde cerebral, estimulação e reabilitação cognitiva, recomendo também a leitura do post:

👉 Seu Cérebro em Foco: Estimulação e Reabilitação Cognitiva Humanizada para uma Mente Viva e Ativa

NO PRÓXIMO E ÚLTIMO EPISÓDIO

ENVELHECER COM SENTIDO

Novos caminhos, possibilidades, direitos e participação

Depois de conversarmos sobre Arteterapia, Gerontologia, funcionalidade, autonomia e demências, vamos ampliar nosso olhar para outras dimensões do envelhecimento: sentido, participação, direitos e possibilidades.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Dementia — Fact Sheet. 2026.
  2. 14 Prioridades para previnir as Demências. Cartilha | 2026 | Saúde dos Idosos | Principais Fatores de risco modificáveis para demências. Faz referências ao relatório Nacional sobre Demência e a cartilha Promovendo uma Linguagem Positiva na Demência. Ministério da Saúde.                 
  3. Organização Mundial da Saúde (OMS). Risk reduction of cognitive decline and dementia. 2ª edição, 2026.
  4. Ministério da Saúde. Alzheimer e outras demências.
  5. Ministério da Saúde. Linha de Cuidado — Pessoas com Demência.
  6. Alzheimer's Association. Blood-Based Biomarkers in Alzheimer's Disease. 2025.
  7. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Informações regulatórias sobre terapias para a Doença de Alzheimer.

Importante: Este conteúdo tem finalidade educativa e informativa e não substitui avaliação, diagnóstico, acompanhamento ou tratamento realizado por profissionais habilitados.

Com carinho,
Viviane Mazi

Gerontologia & Arteterapia

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